Como venci a obesidade, hipertensão e pré-diabetes, perdendo mais de 20 kg em 2 meses

Acordei com um copo d’água de um aluno da faculdade …

Dois andares de escada me davam palpitações e meu coração batia na garganta. Bem pesado, o joelho sentia até uma caminhada leve. Eu mal conseguia jogar bola com meus filhos, mas ainda não tinha acordado…

Certo dia, um aluno meu da faculdade, na sala de aula, me ofereceu um copo d’água. O motivo: eu, ofegante, tinha subido 2 andares de escada, lentamente e carregando um datashow. Eu recuperava o fôlego para começar a aula. Neste dia, eu ACORDEI. Contei o episódio pra minha esposa e marcamos com um cardiologista.

O Cardiologista…

Obeso, com 115kg, e hipertenso aos 36 anos… foi meu diagnóstico depois de 24 horas com um monitor de pressão. No sangue, alto valor de glicemia e triglicérides (eu não sabia, mas estava com resistência à insulina, a pré-diabetes).

O médico, então,  me receitou um remédio para pressão, que eu deveria tomar eternamente. Mas me deu uma alternativa em forma de esperança: tentar perder pelo menos 10 kg e repetir os exames, pra ver como meu corpo reagiria com menos gordura visceral (a gordura interna da barriga, a mais perigosa). Nessa hora, eu só pensava nos meus 2 filhos pequenos. Veja uma foto minha na época (início de 2014):

115 kg e suando sem motivo
115 kg e suando sem motivo

E então eu cometi os mesmos erros de sempre…

Pensar em dieta me dava depressão! Contar calorias, reduzir porções, passar vontade de tudo que é gostoso, comer alimentos light, zero gordura, de 3 em 3 horas, sem gosto de nada (gosto de isopor?). Arroz, macarrão e pão integrais, tudo com gosto de ração… Peitinho de frango seco, margarina light e academia pra queimar calorias…

EU JÁ TINHA tentado isso várias vezes durante a vida! Até perdia algum peso, que depois voltava com tudo em pouco tempo. E eu tinha que ter uma força de vontade brutal pra conseguir levar a dieta por um mês… Imagine 3 meses para perder os 10 kg que precisava. Mas fui adiante: em fevereiro, perdi uns 5 kg. No mês seguinte, já foi ficando difícil manter a “dieta do isopor” e, no final de março, não perdi peso: ganhei 2 kg, mesmo fazendo atividade física. No desespero, comecei a pesquisar sobre cirurgia no estômago (bariátrica).

Cirurgia Bariátrica: era o que me restava …

Nessa hora o coração gelou e o medo tomou conta. E aí? O que você faria? 2 filhos pra criar e precisando emagrecer a qualquer custo. Marquei uma consulta com a intenção de fazer cirurgia bariátrica. Conheci 4 pessoas próximas que fizeram… e tiveram diversos problemas: uma precisou de psicólogo… Outra (minha prima) está bem, mas sofreu muito depois da cirurgia. Duas outras já engordaram quase tudo de novo… isso sem contar o risco e o pós-cirúrgico pesadíssimo. Arriscado! Mas, na minha cabeça, não tinha mais nada que eu não tivesse tentado.

E o tal cirurgião era tão requisitado que só consegui a consulta para o final de abril, pelo meu plano de saúde.

Enquanto eu esperava a consulta … o post inesperado

Nesse intervalo, me deparei no facebook, com a foto de um ex-aluno meu, recém-formado: o Jessé, que era bem gordinho. Fiquei espantado! O garoto tinha secado! Bem magro mesmo… era outro! Comentei na foto e ele, quase que zombando da minha cara, só disse:
– “Professor, é complicado explicar, as pessoas não acreditam… mas te garanto que o bacon e a picanha me ajudaram bastante”… ele, sempre bem humorado, ria… e depois me passou alguns links.
E seus exames? Perguntei. Ele só me mandou outro post com os exames, que mostravam o colesterol, triglicérides e perfil lipídico bem melhores que antes!

Aí minha cabeça deu um nó! Naveguei pelos links e acabei caindo no site americano do Mark Sisson (sobre primal, ou paleo): uma boa porta de entrada para entender o que o Jessé tinha feito. Ainda faltavam uns 10 dias pra consulta com o cirurgião. Nova esperança: se eu não precisasse comer aquela “comida isopor” e não arriscasse minha saúde, eu poderia evitar o bisturi e manter a dieta pelo tempo que eu quisesse!

Mudança de Planos – Cirurgia bariátrica não!

Do blog do Mark, cheguei a vários artigos científicos (desde o mestrado, tenho bastante prática em separar artigos com metodologia relevante dos demais). Li trabalhos incríveis e então me convenci plenamente de que tudo aquilo, sem dúvidas, melhoraria meus riscos cardíacos, por mais estranho que parecesse. Em língua portuguesa, de todos os materiais eu li, destaco o livro Emagrecer de Vez, do Rodrigo Polesso, que tem uma abordagem prática e bem didática. A cada capítulo ou artigo, eu ficava mais eufórico. Então desmarquei a consulta com o cirurgião e comecei a colocar tudo em prática (em maio). Destaco alguns hábitos importantes que mudei:

  • No café da manhã, troquei o pão pelo omelete;
  • Parei de me preocupar com vários tipos de gorduras que eu achava que me infartariam. O vilão virou aliado e a comida “isopor” deu lugar à comida de verdade, com graça e gosto;
  • Parei de comer lanchinhos industrializados de 3 em 3 horas… mesmo por que eu não tinha a menor vontade ou fome pra isso;
  • Parei de contar calorias ou porções. Comia à vontade, os alimentos certos, até ficar satisfeito;
  • Parei as atividades físicas (por falta de tempo), e mesmo assim continuei emagrecendo;

Finalmente, o resultado veio rápido (e definitivo) …

Esta nova abordagem para emagrecer não só me salvou do bisturi, mas me trouxe os resultados que você pode ver nas fotos abaixo:

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No início, eu perdia em média 4 kg por semana e isso me estimulava e empolgava muito! No primeiro mês, foram 15 kg a menos. No segundo mês, 5 kg. Depois, ainda fui perdendo peso (Total de 25 kg perdidos). Não ganhei peso novamente e já se passaram 2 anos. Com comida de verdade e gostosa, a história mudou. Fiz até uma montagem com alguns pratos que eu comia (contei com o apoio, a confiança e os dotes culinários da minha esposa, Núbia). Se você não tem tempo ou paciência para estudar e bolar suas estratégias e cardápios, leia até o final do artigo (onde indico uma solução pronta e testada).

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Comida de verdade! E sem medo de gorduras naturais. Sem “rações” processadas pela indústria

O mais incrível: a dieta e a perda da minha gordura visceral reverteram a minha hipertensão e meus exames de sangue para os níveis normais. Fui curado e libertado! E apostar corrida com meus filhos não têm preço!

O mais irônico é que só transformei minha vida pela sorte do meu facebook trazer uma postagem de um ex-aluno em quem eu confiava. Afinal, de charlatões e aproveitadores, essa área de emagrecimento já está ridiculamente infestada. E a verdade nutricional é científica e não têm duas caras. A confusão na mídia é de propósito: muita gente enche o bolso de dinheiro a cada pessoa que cresce acreditando que o caminho para emagrecer é aquela dieta do isopor, é o industrializado light, o remédio milagroso, trocar refeição por shake e outras bizarrices. É triste, mas ajuda a explicar a explosão da obesidade e diabetes nos últimos anos.

Depois de passar por tudo isso, não parei mais de estudar artigos da área, criei este blog para divulgar este estilo de vida e evitar que pessoas passem pelo que passei ou entrem em estratégias furadas, antigas ou insustentáveis em longo prazo.

Te parabenizo por estar ativamente pesquisando e avaliando novos caminhos! Sem dúvidas, isso te coloca junto a uma minoria de pessoas que têm força pra reagir. Tenha orgulho e confiança por isso! A grande maioria prefere continuar arrastando a vida como pode, ou prefere esperar que um médico cirurgião lhe tire um pedaço do estômago.

Um só artigo é pouco para que eu coloque tantas revelações, mas a apresentação abaixo, do Rodrigo Polesso, já mostra os pontos mais importantes da dieta. Clique na imagem abaixo e espere o vídeo carregar:

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Espero, sinceramente, que aproveite bem este texto e viva de maneira plena!

Saúde! (e atitude!)

Um abraço!
Márcio Balian